POR QUE SONHAMOS?

Frequentemente estamos em uma roda de amigos e vem aquela frase: “Nossa, sonhei com você essa noite...”. E então se desenrola uma longa conversa a respeito do fato.

Se um fenômeno humano apaixona e causa curiosidade em todos os seres humanos é de se desconfiar que algo do próprio homem, esse fenômeno deve estar relacionado.

Antonio Meneghetti redescobriu o código que está sob os símbolos oníricos e a partir deles foi possível utilizar o sonho como uma importante fonte de indicação para o ser humano, das posição real da sua existência até as escolhas mais complexas a serem atuadas por importantes líderes. Aplicando esse critério se dá a solução em vantagem ao indivíduo sonhante.


O texto transcrito abaixo foi extraído do livro “Por que Sonhamos?” de autoria de Ana Petry, com colaboração e edição da Ontopsicológica Editora Universitária. (www.ontopsicologia.com.br)

Mas afinal, o que os sonhos informam?

Todos queremos estar bem e nos realizarmos; então é preciso recuperar o conhecimento do mundo da vida que os sonhos fornecem segundo uma precisa hierarquia.

Em primeiro lugar, indica a situação orgânica do sonhador, uma vez que a sua integridade física-biológica é a condição sem a qual os outros setores da existência não se desenvolvem.

Em segundo lugar, analisa o valor das suas referencias afetivas: o marido, a esposa, os filhos, os pais, os amigos etc.

Em terceiro lugar, verifica se funcionam as relações de trabalho e estudo.

Em quarto lugar, dá a análise da esfera social e da economia. O sonho assinala o que é mais real e mais urgente para atuar a recuperação ou o crescimento daquele indivíduo.

E quando não recordamos o próprio sonho? 

Todas as cosmogonias falam de uma época de ouro na qual os seres humanos viviam na companhia dos deuses e as suas vidas transcorriam em paz e harmonia. Depois, devido a um erro, perderam esse contato e começaram gradativamente a afastar-se do seu princípio, chegando até a idade do ferro, quando passaram a viver em guerra.

Utilizando essa antiga lenda, podemos dizer que viver na companhia dos deuses significa estar em conformidade com a própria identidade de natureza e poder colher, momento a momento, a exata reflexão da própria posição existencial. Os sonhos são informações que ainda sobrevivem daquela primeira posição em que a natureza constituiu o homem. Mas podemos registar que, gradativamente, também essa informação está se perdendo, sendo cada vez mais frequente que o homem contemporâneo não recorde os próprios sonhos.

Não recordar os sonhos é um defeito da nossa cultura. Alguns indivíduos não recordam os sonhos porque não foram educados a recordá-los. É uma superficialidade consigo mesmo e um desprezo para com uma informação considerada não importante. Nesse caso, basta a conscientização da sua importância e rapidamente a atividade onírica vem à tona na memória do sonhador, ainda que inicialmente fragmentada.

Outros não recordam dos sonhos porque estão já em um estado de grande rigidez mental, na qual o Eu consciente regurgita as informações provenientes do mundo externo e é incapaz de acessar o mundo interno. É necessário um sério processo de psicoterapia, de forma que o indivíduo consiga, pouco a pouco, resgatar a sua subjetividade. A consciência, completamente condicionada pelas informações da cultura e dos estereótipos, exprime somente o que é conforme as ideias e crenças do sujeito, excluindo completamente a sua inteligência nativa. 

Mais raros são os casos de indivíduos que não recordam os sonhos porque estão em uma fase de grande construção histórica. Nessas ocasiões, nas quais o sujeito esta positivamente construído a si mesmo, ou seja, as ações externas estão em exata correspondência com o seu projeto e natureza, não existe cisão entre ação da vida e reflexão. Portanto, não existem danos a reparar.  

 

 

Para mais aprofundamentos indicamos as seguintes obras:
- Por que Sonhamos?

- Prontuário Onírico

- Imagem e inconsciente